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Bairros pobres africanos são especialmente vulneráveis ao aquecimento global
O aquecimento global poderia colocar em risco as vidas das crianças e idosos nos superpovoados bairros periféricos da África, elevando as temperaturas a níveis perigosos em suas casas particularmente vulneráveis, adverte um estudo.
Marcio Demari Londrina - PR
Postada em 07/11/2017 ás 11h54
Bairros pobres africanos são especialmente vulneráveis ao aquecimento global

Moradores de Kibera, no Nairóbi

O aquecimento global poderia colocar em risco as vidas das crianças e idosos nos superpovoados bairros periféricos da África, elevando as temperaturas a níveis perigosos em suas casas particularmente vulneráveis, adverte um estudo.


Os materiais de construção utilizados, a falta de ventilação e de espaços verdes e o acesso limitado à eletricidade criam um microclima ainda mais quente, explicam os pesquisadores.


O estudo, publicado na segunda-feira na revista científica americana Plos One, se concentrou em três assentamentos informais de Nairóbi, Quênia.


O maior deles está localizado em Kibera, onde vivem um milhão de pessoas em casas com paredes de adobe, telhados de zinco e piso de concreto, dispostas em ambos os lados de ruas estreitas.


Até 60% dos 3,1 milhões de habitantes de Nairóbi vivem nesta comunidade.


As temperaturas em Kibera e em outras favelas próximas, Mukuru e Mathare, são de 2,7 a 5,5 graus centígrados mais altas do que as registradas na estação meteorológica situada a menos de um quilômetro dali, em um parque arborizado.


Pesquisas anteriores citadas neste estudo indicam que a mortalidade entre as crianças de até quatro anos e entre os maiores de 50 anos aumenta 1% para cada subida de 1,1 grau na temperatura acima dos 20 graus.


As altas temperaturas constatadas neste estudo “coincidem com um aumento da mortalidade”, diz a climatologista Anna Scott, autora principal do texto e pesquisadora da Universidade Johns Hopkins.


No entanto, o estudo não recolheu dados suficientes para estimar o número de mortes como resultado da magnitude das diferenças de temperatura observadas, afirma Scott, especialmente porque o verão em que foi realizado (de 2 de dezembro de 2015 a 20 de fevereiro de 2016) foi o mais quente desde a década de 1970.


Mas as diferenças de temperaturas médias diárias foram “surpreendentes” durante esse período, explicam os pesquisadores.


A temperatura média registrada na estação meteorológica foi de 25 graus, em comparação com 27 graus em Kibera, 29,4 graus em Mathare e 30,5 graus em Mukuru.

FONTE: Istoe
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