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As ONGs no século XXI: Por Fábio Feldmann
A ideia de ONGs prosperou muito a partir das últimas décadas, especialmente com a realização, no Rio de janeiro, da Eco 92, que veio a consagrar a sociedade civil como protagonista importante nos dias atuais.
Marcio Demari Londrina - PR
Postada em 08/11/2017 ás 11h32 - atualizada em 08/11/2017 ás 11h39
As ONGs no século XXI: Por Fábio Feldmann

As ONGs no século XXI

A ideia de ONGs prosperou muito a partir das últimas décadas, especialmente com a realização, no Rio de janeiro, da Eco 92, que veio a consagrar a sociedade civil como protagonista importante nos dias atuais. Hoje, as empresas sabem que o seu ativo reputacional depende das ONGs e que a sua capacidade de dialogar com as mesmas é um fator absolutamente estratégico para a sua sobrevivência. 


Estas são o que, no jargão hoje, se chama de stakeholders estratégicos, para o bem ou para o mal.


Por sua vez, a sociedade civil tem cada vez mais como desafio a transparência e a prestação de contas (accountability), o que as obriga a incorporar conhecimentos e uma cultura gerencial que nem sempre estiveram presentes na sua agenda.


A diversidade no campo da sociedade civil é enorme, sendo muito difícil trabalhar com conceitos fechados e reducionistas.


Entretanto, no Brasil de hoje, temos que desconsiderar do universo da sociedade ci-vil aquelas entidades que são criadas unicamente para desviar recursos do Poder Público, cabendo se discutir no projeto do novo Código Penal, mecanismos rígidos para esse tipo de delito.


Recentemente, passei a participar do Conselho Curador da FBDS — Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, liderada visionariamente por Israel Klabin, da qual fazem parte pessoas da maior expressão, a exemplo de Philippe Reichstul, Maria Sílvia Bastos Marques, Thomas Lovejoy, José Luiz Alquerés e Jerson Kelman. Um dos grandes temas desta entidade consiste, exatamente, em discutir o papel de uma ONG no século XXI.


Longe de ser uma entidade militante, o que diferencia a FBDS é a sua preocupação em formular e monitorar a implantação de políticas públicas, articular o diálogo entre sociedade civil, poder público e setor empresarial, bem como discutir estratégias no formato de „think tank” (em tradução literal, tanque de pensamento).


Na Rio + 20, a entidade organizou um dos eventos mais importantes da Conferência, com a presença do Rei da Suécia Carl Gustaf e de um renomado grupo de cientistas, entre os quais vários ganhadores do Prêmio Nobel.


O propósito era o de colocar, para a comunidade internacional, os limites do planeta, em uma parceria com o Stockholm Environment Institute, sob a liderança de Johan Rockstrom, cujos trabalhos científicos tenho feito referência nesta coluna. Infelizmente, evento dessa importância passou praticamente despercebido pela mídia.


O modelo em discussão sobre as estratégias da FBDS para atender os desafios do século XXI está inserido em um debate riquíssimo sobre os ganhos da sinergia entre a sociedade civil e o setor empresarial.


Este último tem muito a ganhar com a visão empreendedora das ONGs e com a sua capacidade de captar as novas demandas da sociedade em uma agenda provocadora e criativa.


Por sua vez, parte expressiva da sociedade civil precisa incorporar na gestão de suas entidades métodos empresariais e modelos de governança com o objetivo de garantir aos seus doadores a boa aplicação de seus recursos.


Nessa linha de raciocínio, recomendo a todos a leitura do documento “The 21st century NGO -in the market for change”, publicado pela Sustain Ability, empresa de consultoria e “think tank”, liderada por John Elkington, idealizador do conceito do Triple Bottom Line (TBL). 

FONTE: Fábio Feldmann
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