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Mudanças climáticas provocarão gastos de até US$ 4 bilhões com saúde, diz OMS
Até 2030, as consequências das mudanças climáticas provocarão gastos com saúde de até 4 bilhões de dólares por ano. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e foram tema de seminário em Brasília na terça-feira (5). Encontro promovido por agências da ONU abordou relações entre as transformações do planeta, a poluição e o bem-estar da população.
Marcio Demari Londrina - PR
Postada em 12/12/2017 ás 01h14
Mudanças climáticas provocarão gastos de até US$ 4 bilhões com saúde, diz OMS

Falta de saneamento básico é um dos fatores para a propagação de doenças, como o cólera, no Haiti. Foto: ONU Meio Ambiente

Até 2030, as consequências das mudanças climáticas provocarão gastos com saúde de até 4 bilhões de dólares por ano. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e foram tema de seminário em Brasília na terça-feira (5). Encontro promovido por agências da ONU abordou relações entre as transformações do planeta, a poluição e o bem-estar da população.


“De vilarejos rurais até grandes cidades, todos já estão sofrendo com inundações, secas, ondas de calor mais frequentes, enchentes, entre outros (fenômenos). Tais episódios podem provocar um aumento na incidência de doenças e afetar a saúde das populações. Isso mostra que as mudanças do clima não são um assunto futuro, mas atual”, alertou a oficial sênior da ONU Meio Ambiente, Regina Cavini.


Ainda segundo a OMS, entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas causarão 250 mil mortes a mais do anualmente esperado por malária, má nutrição, diarreia e calor. Regina lembrou que problemas estruturais, como a ausência de saneamento básico e tratamento de água, agrava os desdobramentos das transformações do clima e seus impactos sobre a saúde, a exemplo do que ocorreu com as recentes epidemias de dengue, zika e chikungunya.


Para o representante no Brasil da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o escritório regional da OMS, Joaquín Molina, as mudanças dos padrões climáticas exigirão planejamento e sistemas de atendimento mais robustos.


“As principais respostas para controlar os riscos da mudança climática para a saúde são a mitigação ou redução da influência humana no sistema climático e o desenvolvimento de políticas e programas de adaptação às mudanças climáticas, que busquem prevenir e reduzir, ao mínimo, os danos à saúde”, afirmou o dirigente.


Molina enfatizou que as repercussões são ainda maiores nos países de baixa renda, o que implica pensar em vulnerabilidades, disponibilidade de recursos humanos e estruturais, investimentos em gestão de riscos, capacitação técnica, fortalecimento dos sistemas de saúde e implementação de políticas e programas de saúde pública.


O seminário foi o quarto dos cinco encontros dos Diálogos Estratégicos sobre Mudanças Climáticas, uma iniciativa do Sistema ONU no Brasil, que visa abrir espaço para atores e instituições centrais compartilharem experiências e conhecimentos sobre o tema. Com isso, as agências das Nações Unidas almejam aumentar a sensibilização e a reflexão sobre as políticas públicas locais, regionais e globais de saúde, tendo em vista o compromisso dos Estados-membros da ONU em cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


Com participação de especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), do Ministério da Saúde, da ONU Mulheres, da OPAS e da ONU Meio Ambiente, o seminário desta semana teve dois focos temáticos.


O eixo Alterações climáticas e doenças transmissíveis discutiu desde a mudança no comportamento dos vetores até o impacto dessas alterações na vida das populações mais vulneráveis e, em especial, as mulheres brasileiras. O tema Desastres ambientais, poluição e mudanças do clima trouxe para o debate o agravamento dos fenômenos climáticos e o futuro dos recursos hídricos e de sua disponibilidade no Brasil.

FONTE: OPAS/OMS
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