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Herdeiro da JSL vai criar fundo para financiar 'negócios sociais'
Fernando Simões Filho e sócios já emprestam dinheiro a pequenas empresas por meio da Bemtevi; ideia é ampliar alcance e rentabilizar a companhia.
Marcio Demari São José - SC
Postada em 02/01/2018 ás 00h50
Herdeiro da JSL vai criar fundo para financiar 'negócios sociais'

Fernando Simões Filho, herdeiro da JSL e cofundador da Bemtevi (Foto: Divulgação)

Herdeiro da empresa de logística JSL, o empresário Fernando Simões Filho planeja lançar ainda no primeiro trimestre de 2018 um fundo de R$ 15 milhões voltado a emprestar dinheiro a juros baixos para "empresas sociais" - aquelas que se comprometem com alguma causa e não distribuem, mas reinvestem os lucros.


Hoje, Simões Filho já faz um trabalho parecido na Bemtevi, empresa que toca junto dos sócios Ricardo Mastroti e Eduardo Pedote desde maio de 2016. A companhia capta recursos de investidores, coloca metade do capital em aplicações de baixo risco (em geral títulos do Tesouro) e empresta a outra metade a negócios selecionados que tenham fins sociais.


A companhia administra hoje R$ 2 milhões angariados junto a 24 apoiadores e já financiou duas empresas.


Funciona assim: cada investidor que compra a causa da Bemtevi precisa aportar na empresa ao menos R$ 25 mil por quatro anos e, ao fim desse período, recebe a quantia de volta, mas sem correção monetária.


"São apoiadores que querem ter protagonismo social, que querem investir na gente não pelo dinheiro, mas para fazer parte", diz Simões Filho.


Do outro lado, a Bemtevi seleciona os negócios que vai financiar de acordo com a mudança que eles se comprometem a fazer na sociedade. Os juros que serão cobrados pelo empréstimo variam de acordo com o cumprimento de metas relacionadas a esse objetivo, podendo ir de 0% a 12% ao ano.


"A gente troca juros por impacto. Contratamos esse impacto e definimos indicadores que, somados, darão 100% de uma meta mensal. Quando o 'índice de atingimento' dessa meta fica acima de 80%, o juro é zero", explica o empresário.


Segundo ele, o acompanhamento das metas é feito mês a mês. O pagamento dos juros fica para os últimos três meses do contrato. No começo, a empresa só precisa amortizar o principal captado.


De acordo com Simões Filho, a Bemtevi é uma holding de participações. Os juros de até 12% ao ano são o máximo que uma companhia desse tipo pode cobrar sem precisar ter a estrutura de uma financeira, afirma.


As duas empresas que Bemtevi já financiou são a PanoSocial, uma confecção que usa matéria-prima sustentável e emprega ex-presidiários, e a ASID, firma que presta consultoria a empresas que querem contratar pessoas com deficiência.


A ideia


A ideia de criar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) surgiu por dois motivos: a Bemtevi quer ter acesso a mais recursos (para poder emprestar para mais empresas) e também diminuir o seu custo de operação.


Hoje, Simões Filho e os sócios trabalham de graça, a empresa não consegue gerar lucro suficiente para que eles tenham um salário.


"A gente quer ter uma remuneração compatível com o mercado, de cerca de R$ 10 mil por mês. Hoje temos R$ 2 milhões captados. Se tivermos R$ 15 milhões, nosso custo não muda tanto e poderemos ter um modelo de negócio em que a gente consiga entregar ao menos a inflação de volta para o investidor depois de quatro anos", diz.


Ele está agora negociando parcerias com uma corretora e uma gestora para viabilizar a ideia. "Já está caminhando. Embora para nós R$ 15 milhões seja muito, para o mercado financeiro é pouco", diz.


O objetivo é que o fundo também seja um "FDIC social", que também não remunere os investidores, pelo menos num primeiro momento.


Antônio Ermírio de Moraes Neto, herdeiro do fundador do Grupo Votorantim, tem uma iniciativa parecida. Ele fundou em 2009 a Vox Capital, primeiro fundo de impacto social do país.


Outros caminhos


A Bemtevi está estudando ainda outras formas de ser rentável. Uma delas é dar consultoria remunerada para institutos e organizações que querem fazer projetos sociais parecidos com os dela.


Outra é o lançamento de uma plataforma online de "crowdlending" (algo como empréstimo coletivo, em inglês), na qual a empresa cadastra projetos e capta dinheiro de investidores dispostos a apoiá-los. Esse sistema deve ser colocado no ar em janeiro.


"Com a plataforma a gente consegue pulverizar mais ideia, porque o fundo só é aberto para investidores qualificados (aqueles que têm mais de R$ 1 milhão aportados). Nela, qualquer pessoa pode se cadastrar", diz Simões Filho.


Segundo ele, a grande diferença da estrutura de captação atual da Bemtevi para a de "crowdlending" é que no sistema em vigor o investidor coloca dinheiro na empresa, que distribui para os programas que ela seleciona. Na plataforma, o aporte é feito diretamente no projeto.


Fernando Simões Filho tem 30 anos e é neto do empresário Júlio Simões, fundador da JSL, empresa que leva suas iniciais no nome. Ele estudou Direito, mas não chegou a obter o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Começou a trabalhar na empresa de sua família aos 16 anos e se afastou do dia a dia da operação em 2013. Hoje, sua renda vem do cargo de conselheiro da JSL.

FONTE: G1
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